Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



As micro-licenciaturas e o estado do Estado

por twin_mummy, em 15.11.13

Ainda uma destas manhãs o co-irresponsável se lamentava que tinha saudades de ver o noticiário de manhã. É que desde que a hora mudou (ver post 'Com sopas e bolos e fusos horários') que os gémeos ficaram presos no fuso horário anterior, pelo que é raro o dia em que não despertam antes das 6h30 e acabam assim por nos fazer companhia ao pequeno almoço e monopolizar a tv com o Miao Mao e outros tais.

Pois nem bem a propósito, pouco depois desse episódio dei por mim estrada fora a caminho do mecânico já que o carro andava a perder potência (sim, sou uma gaja estranha que repara nestas coisas, graças talvez a um instrutor de condução que sempre me ensinou a ser 'mecânica de ouvido'), e na minha demanda por entre as rádios pré-definidas no rádio (felizmente não há nenhuma 'Rádio Panda' ou 'Rádio JimJam' pelo que é tudo conteúdo de 'crescidos') oiço algo que me deixou estupefacta.

 

Parece que no meio de toda esta crise o Governo teve uma ideia peregrina que foi reduzir os anos das licenciaturas para tentar atingir os patamares europeus em termos de educação. E não sei porquê fiquei com uma sensação de 'dejá-ecouté' (adoro este meu neologismo)... É que a memória daqueles iluminados pode ser curta, mas a minha, embora enevoada pela magnitude de novas exigências que a maternidade acarreta, não estará assim tão limitada. No meu tempo (e lá vou eu...) as licenciaturas eram de 5 anos e os pais andavam a matar a cabeça aos miúdos com a célebre frase 'Estuda para um dia seres alguém'.

 

Chamem-me desconfiada ou mesmo paranóica mas fiquei com a sensação que esta 'solução' seria mais uma para 'tapar o sol com a peneira'. Semelhante àquela em que colocam desempregados em cursos de formação que pouco ou nada têm a ver com os interesses deles ou mesmo com a utilidade prática dos mesmos, mas que permitem que, mesmo que temporariamente, saiam das estatísticas de desemprego. E cheirou-me (sim, que a minha mãe ensinou-me a ser 'cozinheira de nariz') a esturro. A um esturro muito grande, a uma daquelas decisões de se pôr o lume no máximo para abreviar o tempo de cozedura e...pimba! O resultado não pode ser outro, certo? Pela minha lógica prevejo (sim, agora também sou astróloga e taróloga) um 'boom' de desempregados ainda maior. Mas a curto prazo ficam com o problema resolvido, certo?

 

Então e perguntam vocês... onde é que queres chegar com isto tudo?

 

Simples... falava da minha ida ao mecânico, lembram-se? E como o trajecto ainda é longo aproveitei para pensar em todas estas coisas da vida e na fulana que aqui há dias encontrei à porta da minha casa (é natural que se sintam ainda mais perdidos mas juro que no final do discurso delirante haverá uma luz ao fundo do túnel e não será necessariamente um comboio para vos passar por cima). Ora a dita rapariga estava à porta do meu prédio e viu-me aproximar com os miúdos. A quem tem gémeos sabe bem que é uma premissa sermos alvo de gente metediça sempre que saímos à rua, pelo que já estava à espera. Mas curiosamente...nada! Nem se meteu com os miúdos, nem sequer disse boa noite. Simplesmente fez o gesto de entrar no momento exacto em que, já dentro do prédio, fechei a porta.

 

Perante o ar dela de indignação resolvi (ainda dentro do prédio e de porta fechada em segurança que aqui pelas redondezas têm havido muitos assaltos que começam assim) cumprimentar a senhora e perguntar se podia ajudar. Ao que ela responde no tom mais seco do Mundo:

-Quero entrar no prédio!

 

Sério? Pensei eu... E eu a julgar que quando alguém se coloca do lado de fora a forçar a porta quereria era sair!! Até aí tinha eu chegado sozinha e não preciso da licenciatura. Mas aquilo não sei porquê não me parecia motivo suficiente para abrir a porta a uma perfeita desconhecida. Vai daí feita parva ainda perguntei:

-Mas quer entrar para quê? É publicidade? Se for isso tem aí uma caixa fora onde pode colocar...

 

Acham que ela respondeu? Não! E eu, com os miúdos já a puxarem-me escada acima ainda insisti:

-Se pelo menos me explicar ao que vem talvez a possa ajudar...

 

E nada! Mais uma vez permaneceu calada, com cara de caso, o que só me fez deixar ainda mais intrigada. E em tom de conclusão acabei por dizer:

-Olhe... Não leve a mal mas não posso ficar responsável pela entrada no prédio de alguém que eu não conheço e que nem sequer me diz ao que vem. Se é publicidade coloque na caixa como eu indiquei que as pessoas tiram daí. Se for para ir a casa de alguém e se já tocou e não abriram é porque a pessoa não estará em casa, pelo que também não fará sentido a senhora entrar, certo?

 

E lá apanhei eu o elevador, com os miudos já a engalfinharem-se, e a tal fulana caladinha à porta. Momentos depois, estavamos nós a dar banho e comer aos miúdos, tocam à porta e oiço aquela mesma vozinha. Já nem me recordo o que disse de início, apenas me apercebi que era de uma operadora de telecomunicações com a qual eu já tive contrato, mas que deixei por má prestação de serviços e em relação à qual até fiz uma reclamação para a Anacom. Claro que disso a senhora não tem culpa pois sendo de uma empresa sub-sub-contratada nem sequer tem acesso a esses dados. Mas tem culpa de ser parva. Bastava ela ter dito ao que vinha e ter-se identificado e eu tinha-lhe aberto a porta.

 

Vai daí comecei a pensar na situação e depois, como sou imensamente cusca, quando regressei do mecânico decidi pesquisar que tipo de perfil pedem os operadores de telecomunicações para este tipo de serviço. E para meu espanto se em alguns casos basta o 9º ano, alguns há que já pedem o 12º ano. Pudera! Se se consegue acabar a escolaridade mínima obrigatória com este nível de 'sensibilidade e bom senso', então livrem-se de contratar malta que nem ao 9º ano chegou. E foi aí que me caiu a ficha! Por este andar até podem pedir a licenciatura porque não tarda nada acaba por ser só mais 1 ano e este tipo de gente acerebrada qualquer dia até aulas dá aos nossos filhos. Ou nos arranjam os dentes, ou até quem sabe com mais 1 aninho além do primeiro tiram a especialização em obstetrícia. E será este o País que teremos... E no fundo é este o 'estado do Estado'...


Lembrei-me então do sorriso de felicidade que trazia nos lábios ao vir do mecânico (vêm como isto tudo parece que se vai conjugar em algo com sentido??), que me poupou o coração apenas por ir dar uma volta de carro comigo e dizer, por entre risos, esta bela frase:

-O que o seu carro tem é carvão dentro da tubagem de você andar tão devagar com ele. Vá lá para casa descansada e puxe mas é pelo carrinho de vez em quando, que ele está a precisar.

 

(Diga-se a bem da verdade que quando nos tornamos pais ganhamos velocidade de lesma e se bem que tenhamos alguma consciência disso, dizerem-nos assim na cara faz-nos doer o ego, mas serena-nos o coração de que estaremos a agir correctamente)

 

Certo... ele resolveu o problema e não me levou nada porque até é uma pessoa séria. Mas acima de tudo é um bom mecânico, uma pessoa educada e prestável, e não me parece que seja licenciado. E se andasse a pregar ligações de fibra por entre as portas duvido que não tivesse o discernimento suficiente para dizer boa noite e explicar ao que vinha. Também o senhor que cá vem arranjar os estores é uma pessoa extremamente competente, ganha rios de dinheiro, e nem por isso deixa de ser alguém com quem se consegue ter uma conversa. Porque há coisas que fazem parte da educação base de uma pessoa, certo? Ou já não?

 

E por entre todo este raciocínio dei por mim a rezar para que os meus mabecos não queiram ser estudiosos mas sim inteligentes. Será caso para dizer 'Não estudes! Tenta mas é ser alguém!'

O Dia Nacional dos Pijamas

por twin_mummy, em 13.11.13

Para quem ainda não conhece esta bela iniciativa aproveito para fazer publicidade. 

 

O Dia Nacional do Pijama® é um dia solidário feito por crianças que ajudam outras crianças.

Neste dia, as crianças até aos 6 anos (este ano, alargado também a um número limitado de crianças do 1º ciclo), nas escolas e instituições participantes, de todo o país, vêm vestidas de pijama para a escola e passam, assim, o dia, em atividades educativas e divertidas, até regressarem a casa.

O Dia Nacional do Pijama® realiza-se a 20 de novembro de cada ano.

Este é um dia em que as crianças pequenas lembram, anualmente, a todos que "uma criança tem direito a crescer numa família".

http://www.mundosdevida.pt/_O_que_e_o_Dia_Nacional_do_Pijama

 

Tomei conhecimento através da escolinha dos meus filhos que nos enviou para casa 2 casinhas em cartão para recortar e montar com eles para depois pedir fundos de apoio a esta causa e entregar no proximo dia 20, que será o tal 'Dia do Pijama', em que irão vestidos de pijama para a escola (ufa! Ainda bem que há um dia oficial para isto já que o miúdo acaba por pressionar-me constantemente para ir de pijama para a escola e -é claro- que eu de vez em quando não cedo em deixá-lo ir com a parte de cima).

 

Inebriada por este espírito, e porque cá por casa o que é para fazer com eles é mesmo COM eles, colocámos mão à obra e fizemos as tais casinhas. A parte do recortar, por uma questão de segurança, foi com os papás, a parte de dobrar e colar foi mesmo com eles.

 

Claro que dá sempre confusão e claro que ficam todos sujos (neste caso colados), mas ser-se criança em fase de aprendizagem é poder-se passar também por estas experiências, e nós não os queremos privar de nada (e claro que aquela bela invenção de seu nome 'toalhetes' também ajuda a sentirmo-nos mais confiantes de que conseguimos depois 'desemporcá-los' com relativa facilidade).

 

Também nos pareceu essencial passar-lhes estes valores de solidariedade e partilha, já que estavamos precisamente a planear algo para fazer no Natal que passasse por dar um pouco do que nós temos para aqueles que não estarão tão bem quanto nós. Andávamos há meses a dizer que teriam de escolher um brinquedo deles para dar a algum menino no Natal e tencionamos na mesma cumprir, mas assim acabamos por ajudar de mais formas. 

 

Seguiu-se então um vasto discurso apelando para aquele lado mais altruista que eles já vão manifestando ocasionalmente (ver post 'Excesso de valores') no sentido de participarem activamente no peditório a realizar por entre familia e amigos. E em jeito de conclusão acabei por dizer:

 

-Então perceberam? Vamos pedir moedas para por nesta casinha para os meninos que não têm casa poderem ser mais felizes no Natal.

 

Resposta da minha filha:

 

- Mas eu também não tenho uma casa com moedas...

 

Não a levem por favor a mal. Afinal ela já deu provas de que é capaz de dar aquilo que mais adora (ver post 'Orgulho'), e no final do dia acabou por encaixar a necessidade que tinhamos em reunir moedas para os meninos. E de tal forma que encontrou uma solução bem mais rápida para encher a casinha dela... 'desviar' algumas da casinha do irmão. Escandalizados? Pois eu não acho que seja mais nem menos do que o governo nos faz... desvio de fundos de casinhas. Mas pelo sim pelo não, disse-lhe que era feio...

 

E agora vocês dêem também o exemplo e adiram a esta causa, que até dia 20 dá ainda muito tempo para encherem as casinhas! (a não ser que haja por aí uma Patapon ou uma Troika)

 

 

Para que serve um sofá com tulha

por twin_mummy, em 11.11.13

(sem comentários)

A mana

por twin_mummy, em 10.11.13

Estava a vestir a princesa quando lhe dá um daqueles ataques de mimeira e se agarra ao meu pescoço a dizer:

-Adooooro-te muuuuuitoooo!

Assim que as litradas de baba pararam de escorrer da minha boca sorri para ela e expliquei-lhe a reciprocidade do sentimento não só com palavras mas com beijos e abraços daqueles apertadinhos.

 

No meio de tanta mimice sorri e disse em tom de brincadeira:

-Sabes o que podiamos ser? Manas! Eu podia ser a tua mana mais velha e andávamos sempre juntas! É isso! Vou deixar de ser a tua mamã e passo a ser e tua mana. O que achas?

-Ficas mana?

-Sim, querida! Fico como que uma mana mais velha, brinco contigo, dou miminhos, vamos juntas para a escola...

-Ficas uma mana velha?

-Não é 'mana velha'... é uma 'mana mais velha'.

 

Foi então que aquele metrinho de gente olhou para mim com ar sábio, colocou as mãos no meu rosto e falando daquela forma pausada como se fala com as crianças pequenas me disse:

-...mas tu ÉS velha!!

 

E foi assim que eu caí na realidade e regressei ao meu papel de mãe de caudinha entre as pernas.

A traição do leão

por twin_mummy, em 09.11.13

Hora de deitar e diz a minha filhota:

-Hoje conto eu a história.

-Está bem! É sobre quê? -pergunto, alinhando na brincadeira.

-Um leão!

 

E perante o olhar atento do irmão ela lá começa:

-Era uma vez um leão e uma 'leona'...

-Querida... é leoa que se diz, e não leona.

-Era uma vez um leão e uma... leoa? -corrige ela a olhar de esguelha.


Eu aceno com a cabeça e ela lá continua:

-O leão namorava com uma 'leona'...

 

Realmente não há volta a dar. Gajos! Sempre de olho nas 'leonas'... 

{#emotions_dlg.inlove}

Rorschach

por twin_mummy, em 08.11.13

 

Segundo o google hoje seria o 129º aniversário do Rorschach. Para quem não conhece, é a prova de que da suiça não vêm apenas queijos mas também psiquiatras. A ele se deve o famoso teste de Rorschach, que não são mais que uns borrões de tinta simétricos, como aquelas célebres borboletas que faziamos na pré-primária. Que sejam interessantes eu percebo, e ainda hoje quando os meus filhotes as fazem eu fico fascinada a olhar para aquilo pois é realmenete de uma simplicidade extrema mas encerra uma certa mística. Que ele diga que dá para ver ali coisas também percebo, mas eu com uns copos a mais nem preciso das pranchas. O que não percebo é em que é que as dele são melhores que as minhas ou de qualquer outro artista. 

 

E não me acusem agora de sofrer de megalomania. Tomemos o exemplo de Picasso. Ora uma das grandes vantagens de se ter uma mamã que se interessa pelo Mundo que a rodeia é poder crescer a olhar para um Picasso. Não era o original claro -ou eu teria bem mais tempo para escrever no blog- mas era uma reprodução de uma das obras menos conhecidas da sua fase azul. Sempre me falaram dele como a 'Mulher Azul' (desconheço se será o seu nome original), mas para mim ficou conhecida como 'A mulher e o bacalhau'... e digam lá que não o conseguem ver no canto superior direito (direito do quadro, vosso lado esquerdo para quem ainda anda com a lateralidade mal desenvolvida)? Ou a perna da bailarina e a cabeça de um soldadinho de chumbo no canto oposto? Ou um lagarto nas costas e um 'E' no rabiosque? Ou tantas outras figuras por ali dissimuladas. Recordo-me de ficar horas a olhar para aquilo a ver se descobria mais alguma coisa (e não...nem sempre estava alcoolizada). Agora chamem-me lá esquizofrénica por ver ali mais que borrões de tinta!

 

Mas críticas à parte o Rorschach acabou por ter um impacto positivo no Mundo. Pelo menos no meu, já que tornou as aulas de Psicanálise bem mais interessantes, e passei a ter desculpa para por a família inteira a olhar para borrões de tinta e depois fazer uma bela figura a interpretá-los. Tempos giros esses em que ninguém se importava de ser cobaia e até implorava por isso. Um deles era o co-irresponsável, o único que para mim permanece 'incotável'. Digo-lhe que é por ser demasiado complexo e ele baba-se todo. Na verdade talvez seja por medo que não o faço. Imaginem que descubro por ali alguma patologia latente... e depois? Fujo ou atiro-me a ele?

 

Também devo ao psiquiatra Rorschach a inspiração para uma das minhas personagens favoritas de BD, e um dos melhores livros que li na vida. Falo da personagem Rorschach do célebre Watchmen, e aproveito para enviar um beijo especial para o Dave Gibbons, pois foi um marco na minha vida ler esta obra (e aí todo o crédito para o Alan Moore) e um ainda maior poder conhecê-lo e conviver com ele mesmo que por breves instantes. Hoje em dia tenho pena de já não fazer parte dos célebres Festivais de B.D. da Amadora de uma forma tão activa, mas espero em breve poder apresentar os gémeos a esse fascinante Mundo que tanto eu como o co-irresponsável apreciamos.

 

Foi graças também ao psiquiatra Rorschach que o Gnars Barkley pode fazer um vídeo interessantíssimo e inovador, em que as manchas de tinta se sucedem ao som de uma bela melodia em que se fala de loucura e de amor. Uma grande redundância, eu diria... já que amor e loucura parecem estar sempre ligados.

 

http://www.youtube.com/watch?v=bd2B6SjMh_w

 

O triste de toda esta história é que o dito Sr. Rorschach, o da terra dos relógios, queijo e chocolate, morreu cedo. Tinha apenas 37 anos quando morreu de peritonite. Ora eu relógios não uso porque consigo acabar-lhes com a pilha em 2 ou 3 semanas no máximo, chocolate não gosto (e pronto... com esta já coloquei uns quantos de boca aberta a perguntar 'Como é possível??' Mas é verdadinha... nem gelado do dito, nem bolo, nem sequer um cacau quente), mas queijo como às carradas. Vai daí (e porque não falta quase nada para lá chegar) isto deixou-me a remoer na vida. É certo que ultimamente há muita coisa de que me poderia queixar, e que por vezes, no circulo de familia e amigos mais chegados até me queixo, mas de um modo geral acho que sempre tentei aproveitar todos aqueles pequenos prazeres da vida, e que o faço de forma exemplar. E se bem que tenha mau feitio não houve nunca ninguém até à data que me tenha pedido ajuda e que eu tenha negado, e na maior parte dos casos sou mesmo eu a oferecer essa ajuda. Quem me quer bem tem o melhor de mim. Tento também passar todos estes valores para os meus filhos e liderar pelo exemplo, mas tenho plena consciência que também eu falho como mãe, como filha, como irmã, como amiga, como namorada. Por vezes gostava de estar mais presente, e nem sempre consigo... esse é o meu grande pecado.

 

Mas sentada aqui no sofá a olhar para as formas das nuvens (a ver elefantes cor de rosa e outras coisas mais) e fazendo a minha introspecção concluo que, apesar de não ser perfeita, não serei talvez das piores pessoas do Mundo. E gosto de por aqui andar... por causa do queijo e não só. Por causa destes meus 2 ratinhos que tanto adoro... Por isso, se em alguma altura me queixo, e para que não seja mal interpretada pelas instâncias divinas, faço minhas as palavras do Sr. Gnars Barkley (porcaria de nome este... OHHH!! Perdão!) e digo:

 

''My heroes had the heart
To live their lives out on a limb
And all I remember
Is thinking, I want to be like them

 

Ever since I was little
Ever since I was little
It looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done''

 

apenas para concluir: I'm not done yet!! Por isso nada de peritonites aqui para a menina, ok? 



o Wobbly

por twin_mummy, em 06.11.13

Formatada como eu tenho andado com as canções infantis, dei por mim aqui há dias a cantarolar:

-Wobbly, wobbly... aaaahhhaaa aaaaahhhaaa*

E diz a Pespineta com ar acusador, enquanto embalava o Boo

-Não cantes essa musica que ele assusta-se!!

{#emotions_dlg.amazed}

 

*para que não conhece os bichos cá fica mais um link:

http://www.youtube.com/watch?v=-XqlhKvWYx0

Com sopas e bolos e fusos horários

por twin_mummy, em 05.11.13

Como diria a minha avó 'Com sopas e bolos se enganam os tolos', ou na versão Manuela Moura Guedes, 'Com sopas e bolos se enganam os fusos horários', mas com os meus putos não resulta.

 

Se para nós é agradável dormir mais um pouco graças à mudança da hora, experimentem explicar a mabecos, que já têm imensa dificuldade em perceber que ao sábado e domingo é suposto dormir-se mais um pouco, que terão que (des)regular o estômago e os ó-ós por causa de um iluminado qualquer. E os meus até nem serão dos miúdos mais complicados de 'reprogramar' já que por norma demoro cerca de 1 semana a alterar-lhes as rotinas. Pois... mas enquanto não passam esses dias, o cenário é Dantesco...


Tudo começou no domingo, dia 27 de Outubro, em que o facto deles acordarem cedo até veio a calhar, já que tinhamos planeado ir ao Circuito do Estoril visitar um amigo nosso que estava a correr nos track days. Depois de um pequeno almoço que mais parecia ceia atendendo ao adiantado da hora, lá os vesti a muito custo dado o entusiasmo que sentiam por ir ver as motas.

 

Brinquedos escolhidos lá nos pusemos a caminho, e atendendo a que não era nenhum Grand Prix chegámos em tempo record, deparando com um imenso parque quase vazio. Estariam cerca de meia dúzia de carros estacionados e um outro com um condutor domingueiro a ensinar o filhote a conduzir... MEDOOO!!

 

Claro que com tanto lugar à escolha eu teria que apontar para o melhor. Apesar do co-irresponsável alegar que deveriamos parar mesmo à entrada da Bancada A, eu lá achei que mesmo em frente à porta não seria o melhor lugar e decidi ir estacionar ao lado de um carro que se encontrava perto dos mastros. Não me perguntem quais as bandeiras que estavam hasteadas pois não consegui sequer ver dado ao sair do meu carro deparar com a maior poça de vómito que vi nos últimos tempos. Dentro do outro carro, dado o estado da grelha frontal depreendo deve ter batido num daqueles mastros antes de encontrar repouso, estavam 2 indivíduos completamente inanimados, e pelo chão estavam espalhados alguns copos de bebida vazios.

 

Apressei-me a pegar na Patapon e ir ao porta-bagagens buscar a mochila onde, para além das tão imprescindíveis fraldas, tinha também as chuchas, bolachas e água, e uns quantos brinquedos para SOS. Ia pensando para mim própria que raio de caramelos aqueles para darem uma tal cacetada num poste quando percebi que o porta-bagagens do carro estacionado por esta gaja, completamente sóbria, estava inacessível dada a proximidade do poste.

 

Entreguei então a Patapon aos cuidados do pai para poder estacionar o carro em local mais apropriado e acessível. Perante o comentário do dito:

-Eu vou andando com eles... Sei agora que deveria ter pronunciado um rotundo ´Não! Espera!' mas na altura pareceu-me boa idéia.

 

Acabadinha de estacionar e de malas e bagagens ao ombro lá me apressei a subir a escada e juntar-me a eles na Bancada A. Recordo-me bem da última vez que ali estivemos, para mais um Grand Prix com o meu querido Casey Stoner. Isto claro que antes deles nascerem, porque agora o orçamento já não dá para tanto, e os momentos em que estamos sem eles por norma aproveitamos para coisas tão interessantes quanto dormir ou pôr a lida de casa em dia (pelo menos é sempre essa a vã esperança). Percebemos que o tempo passa rápido ao constatar que aquele acontecimento que temos tão presente dele ter sido campeão de Moto Gp pela Ducati, e abanar completamente a estabilidade do Rossi, foi em 2007 (ou seja... há 6 anos, que é quase o dobro da idade dos meus filhos, que eu juraria que nasceram ontem).

 

E foi de pensamento no Stoner a roçar com os cotovelos nas curvas, e a questionar-me para quando o seu regresso à classe rainha, que entrei no Circuito do Estoril para assistir a uma monumental birra. O cenário? O co-irresponsável com os dois mabecos ao colo, a espernearem e a desfazerem-se em lágrimas e gritos. Moral da história? Quando não se tem genes de aranha que nos permitem tapar os ouvidos de 2 crianças em simultâneo não se deve NUNCA ir com eles para um circuito de motas de alta cilindrada em que estas passem a grande velocidade.

 

Ora como uma das coisas que se aprende em cavalaria (digo cavalaria e não equitação porque tive como instrutor um militar do célebre 3º esquadrão da GNR) é que nunca se deve sair de perto do cavalo com medo. E por isso apressei-me a tapar os ouvidos à Patapon (a que apanhei mais à mão), mostrar 2 ou 3 motas a passarem e explicar que aquilo era apenas barulho, nas breves pausas em que não passava nenhuma. Saiu bem mais calma e esclarecida, mas nem por isso com mais vontade de voltar.

 

Resolvemos então aproveitar a saída para uma volta pela praia, mas assim que os miúdos se viram no carro e começaram a pedir as chuchas foi mais do que evidente que a alteração do fuso horário ainda não estaria interiorizada, e que para eles era já hora de almoçar e dormir a sesta. Acabámos por alterar o passeio para uma volta de carro pela marginal, onde ainda deu para verem alguns corajosos a fazer paddle surf. Mas o soninho apertava mesmo e perante o ressonar do Pandinha e a súplica da Patapon em voltar para o seu Boo lá rumámos a casa cabisbaixos, com a certeza que não voltaremos a planear outro passeio para um dia em que haja mudança de hora...

Era uma vez um porco...

por twin_mummy, em 04.11.13

A Patapon agora tem a mania que sabe ler. Pior... insiste em contar histórias e nós temos de assistir impávidos e serenos àquela mabecada horas a fio. Ora... o Pandinha não é conhecido pela sua paciência, e isso é mais que sabido. Por isso não foi para mim surpresa deparar com ela aqui há dias, livro em riste, a insistir para que ele ficasse sentado a ouvir a história, e o puto com o ar mais entediado do Mundo.

-Senta, mano!- dizia ela enquanto lhe colocava a mão no ombro.

 

E o miúdo, que também não é de muitas palavras começa a fazer 'Brrrrrrrrr' com os lábios e a espalhar saliva num raio de 200 metros...ou mesmo mais! E ela sem desarmar, olhos nos olhos, lança a questão:

-Tu és algum porco?

-Não... - diz ele meio inquieto tentando perceber onde iria parar aquilo.

-Então pára de fazer isso e senta-te a ouvir a história!!

{#emotions_dlg.nostalgic}

E assim ficaram até à hora de deitar...

Bebedeiras e festividades

por twin_mummy, em 02.11.13

Correndo o risco de deturpar completamente o imaginário infantil da minha mãe, há certas coisas que acabamos por constatar e que precisam ser ditas publicamente, e mais publicamente que isto não seria possível: Há bebedeiras e bebedeiras.

 

Recordo-me que a minha primeira bebedeira foi com amêndoa amarga em casa de uma amiga minha. Meus caríssimos teenagers que me estejam a ler (neles incluo o meu querido sobrinho Gonçalo, que o Vasquinho ainda não tem idade para essas coisas) por favor se ainda não tentaram...evitem! É a pior bebedeira que podem apanhar, e ainda hoje me recordo daquela ressaca como se fosse a última da minha vida. Claro que não foi! Mas de amêndoa amarga garanto que sim! Por essa altura o Halloween era apenas mais uma desculpa para bebermos e uma triste oportunidade para sermos confundidos com os membros da No Name Boys.

 

Depois destas 'estreias' mais tolas acabamos por passar por um período de uma certa acalmia, e olhem que para quem não gosta de cerveja como eu e por isso recorre às bebidas brancas, acreditem que não é fácil ficar sóbria. Mas lá consegui sobreviver às festas iniciais da faculdade (no meu tempo eram pelo menos 5 anos a festejar) com alguma 'verticalidade'. O problema é que quando não estamos bêbados acabamos por ter mais dificuldade em aturar as bebedeiras dos outros, e calha-nos sempre a nós ainda termos de os distribuir pelos diferentes lares. Nessa altura felizmente já não nos compete acalmar os incautos progenitores porque muitos dos colegas vivem sozinhos (pelo menos na maior parte do tempo ou 'oficialmente') e os outros... bem... nessa altura já os pais tiveram tempo para conhecer as encomendas que tinham lá por casa. Mas mesmo assim é chato, e por isso voltei a beber (leia-se 'voltei a beber muito', que parar nunca deixei). Vêm como estas coisas são? Tivessem eles aderido aos Alcóolicos Anónimos e eu não estaria hoje de ressaca. 

 

Seguiram-se por isso alguns anos Smirnofianos e conheci algo extraordinário que se chama 'Black Russian'. De que vale ter uns conhecimentos no Gandum's, Conventual e no extinto Seagull, se não para apanhar bebedeiras interessantes? O mesmo não deve ter achado o polícia que nos mandou parar certa vez logo à saída de Setúbal, mas aí curiosamente garanto que foi a tosta mista que me caiu mal (onde é que já ouvi esta da tosta??) e por esse motivo não era eu que ia a conduzir.

 

Entretanto inicia-se a vida profissional e aquele beber mais social, ao jantar. Surge o gosto por um bom vinho tinto e o prazer de se beber moscateis de qualidade. Prima-se não só pela qualidade da bebida como pela da comida, mas sobretudo pela da companhia. Não imaginem no entanto algo muito selecto pois com os vizinhos que temos não é estranho ter surgido um 'Livrinho de vinhos' com o intuito de classificar o que nos passava pela mesa, e que tenha acabado por descambar em provas escritas dos excessos alcóolicos.

 

E claro que qualquer festividade passa a incluir trajes bem mais elaborados, mesas bem mais fartas, mas nem por isso o álcool deixa de assumir lugar de destaque. Que o digam os convivas do célebre Halloween de 2009 que tiveram a coragem de provar aquele gellyvodka. Óbvio que não me poderei nunca responsabilizar pelos comportamentos que se seguiram, e eu própria assumo a minha quota parte de disparate. Mas que a malta se divertia... divertia! E tenho por aqui guardado um vídeo feito quase de madrugada, com os elementos que ainda restavam a fazerem diálogos com gomas em forma de minhoca, que tenciono guardar religiosamente para um dia vos poder envergonhar à frente dos vossos filhos.

 

E por falar em filhos... preparem-se, pois é aí que tudo muda. Não é que seja menos divertido assistir às mabecadas dos miúdos prédio acima e abaixo, enquanto pedimos doces gritando 'Doçura ou travessura', ou como a minha filha prefere 'Sou um esqueleto maaaaaau' (ver post 'Personalidade'). Mas claro que aí já não poderemos estar alcoolizados, ou ainda trazemos a bruxa errada para casa. A parte boa é que se para tudo na vida existe uma solução, a deste caso chama-se avós, e foi a eles que recorremos para tentar passar uma sexta feira romântica a dois, a comer calmamente, sem pausas para contar 'Mais uma história' ou mudar fraldas, e a beber sem peso na consciência.

 

A escolha recaiu sobre um tinto de nome 'Guadalupe' de 2010, de rótulo estrelado, com a inscrição 'A magia de um lugar' a fazer-nos perder na mística e esquecer o que dizia no verso 'Ideal para acompanhar pratos intensos'. Pois... o prato não era intenso. Era uma bela salada de búzios, uns camarões e sim... eu sei que deveria ter sido acompanhado com um rosé ou quanto muito um frisante, e não é que a garrafeira não estivesse abastecida, mas cabeça de mãe torna-se esquecida e já não fui a tempo de colocar uma dessas garrafinhas mais... leves no frigorífico. E por isso marchou mesmo o tintinho. Bem leve por sinal. Agora... não sei se terá sido da comida pouco intensa, ou dos 14% de teor alcóolico, ou simplesmente porque hoje em dia a diferença já não está apenas na quantidade e qualidade do álcool ingerido mas sobretudo no efeito. Se antes nos dava ritmo para a 'night', agora tira-nos o ritmo e deixa-nos a babar no sofá. 

 

Claro que quando imaginamos uma noite de sexta feira sem os miúdos nunca é isto que nos passa pela cabeça, mas sim... é isto que muitas vezes acaba por acontecer. E lá nos acabamos por arrastar a meio da noite para a cama, pelo menos com a certeza de que durante a noite não teremos que os socorrer de mais um pesadelo e que no dia seguinte poderemos dormir mais um pouco para curar a ressaca. Ainda bem que não foi amêndoa amarga!

Uma questão de tamanho

por twin_mummy, em 01.11.13

Sempre que o tempo ajuda costumamos ir com os miúdos para o pátio ou para o parque andar de skate ou triciclo. Aqui há dias, numa dessas incursões, dei com a Patapon a tirar folhas de uma árvore e a atirá-las por uma vedação. As primeiras ignorei, mas como parecia tratar-se de maus tratos continuados e concertados entre ela e o Pandinha, que incitado, se juntou àquela triste tarefa, acabei por abrir a boca para a tentar repreender:

 

-Não faças isso, que a árvore fica triste.- expliquei

-Não fica nada...ela tem muitas folhas!- responde a Pespineta prontamente.

-Tu também tens muitos cabelos e se eu tirar algum ficas triste, certo?

-Mas olha esta que eu tirei...é tããããããooo pequenina, vês? Não faz mal...

 

E perante o meu ar de completa admiração e choque encolheu os ombros, virou costas e concluiu para o mano:

-Tira só as pequeninas!

As imagens utilizadas neste blog são na sua maioria de autoria própria ou de amigos e familiares, com o devido consentimento. A autoria daquelas que são retiradas da internet será indicada sempre que seja possível fazê-lo de forma inequívoca, mas mesmo assim poderão ser removidas caso o autor o entenda, bastando para tal contactar-me para o e-mail aqui indicado.

Pág. 2/2



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

calendário

Novembro 2013

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930



O MEU E-MAIL

mail.twinmummy@gmail.com Enviem perguntas, sugestões, ou simplesmente digam olá!

A MINHA PÁGINA DO FACEBOOK

https://www.facebook.com/TwinMummyblog